segunda-feira, 24 de março de 2008

Expectativa de vida nova para niteroienses

Iniciado em agosto de 2007, o processo de urbanização no Badu está estagnado. Nem mesmo a primeira etapa, que consistia na canalização do Rio Sapê-Canoas, foi concluída. Segundo o aposentado Francisco Gonçalves Couto, que mora no local há 32 anos, os reparos ainda não surtiram efeito.
"Usaram 2,5 mil sacos de cimento e 5,5 mil de areia para criar uma barreira no rio, mas nas primeiras chuvas já percebemos que elas precisam de algumas melhorias. A contenção não agüentou toda a água", reclamou Francisco, que disse que ratos entram na sua casa através dos tubos de esgoto improvisados na obra.
A professora Aparecida de Fátima, também moradora do Morro da Cocada, contou que pouco antes dos trabalhos serem interrompidos, os próprios funcionários teriam admitido alguns erros no início do processo de canalização.
"Me disseram que o projeto da obra tinha alguns problemas. Então eu pergunto: por que fizeram? Por causa das escavações, minha casa tem corrido risco. Todos os dias um pouco do barranco na frente dela desmorona. Espero que retomem as obras logo", disse.
De acordo com os moradores, as obras estariam abandonadas desde o início do ano. Eles contaram que a empresa responsável pelo trabalho no local teria dispensado os trabalhadores por problemas de repasse de verbas. A Prefeitura informou que o dinheiro para a continuidade das intervenções não teria sido repassado pelo Governo Federal, mas garantiu que o problema já foi resolvido e os funcionários começaram a ser recontratados.
Rapidez – Na Vila Ipiranga, o presidente do Centro Pró-Melhoramentos da comunidade, Celso Santos, afirmou que as obras começaram, mas mostrou-se decepcionado com a lentidão.
"Criamos uma expectativa muito grande em torno desse projeto, mas começo a pensar que estão nos fazendo esperar demais. Desde o dia 14 de dezembro a rede de esgoto está sendo feita, mas o trecho que já foi reformado é muito pequeno. O trabalho não está tão rápido quanto gostaríamos ", concluiu.
Celso disse que a comunidade aguarda ansiosa, principalmente porque existe a possibilidade de geração de cerca de 600 empregos diretos, o que segundo ele, seria a esperança para muitos jovens e adultos do local, que é conhecido como violento.
Espera por emprego
Diferente dos outros casos, as obras do Morro do Preventório correm normalmente. Segundo os moradores, a preocupação está nos empregos prometidos aos membros da comunidade pelo Governo Estadual, que administra o trabalho no local. Luís Alexandre Monteiro questionou o processo de contratação.
"Nos disseram que usariam mão-de-obra da comunidade. Inclusive, quem não estivesse capacitado passaria por um curso profissionalizante do Senai. Nos inscrevemos para os empregos, mas ainda estamos esperando".
De acordo com a Companhia Estadual de Habitação (Cehab), as obras ainda estão em processo inicial. Por enquanto, poucas intervenções foram feitas e, por isso, a companhia não tem precisado de grande quantitativo de pessoas para o trabalho. Mas segundo a Cehab, quando o processo avançar, os moradores serão convocados.
O Morro do Capim Melado terá que aguardar um pouco mais. Segundo a Prefeitura, o contrato de financiamento das obras foi assinado há pouco mais de uma semana, e será realizada a licitação para definir a empresa responsável pelos trabalhos de saneamento básico, contenção de encostas, drenagem, pavimentação e construção de uma creche e de uma praça, orçados em R$ 5,36 milhões.
Em razão do mesmo problema de repasse de verbas do Governo Federal, a Prefeitura justificou o trabalho lento realizado na Vila Ipiranga.

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